segunda-feira, 30 de abril de 2007

Estamos atrasados

A nossa educação em comparação com outros países emergentes como a China e a Coréia está com um atraso de pelo menos 50 anos. Se essa comparação for feita com relação aos países ricos, a distância é de 120 anos (para eles, nosso país mesmo no século XXI, em termos de educação está no século XIX). Mas por que estamos nessa situação? Segundo os economistas Eduardo Giannetti da Fonseca e o irlandês Dan O'Brien, especialista em nações emergentes, não temos uma visão de longo prazo sobre o problema. Os dois economistas fizeram uma palestra em São Paulo nesse último mês e o tema principal de debate foi o não oferecimento de um ensino de boa qualidade por nossas instituições. Um fator importante para chegarmos a essa realidade, segundo Giannetti, é um modo constante dos governantes e autoridades de manter os mesmos padrões e diretrizes à educação ao longo dos séculos, nos vários níveis de governo, com uma necessidade de perseguir resultados imediatos, sem pensarem em medidas reais cujos efeitos pudessem ocorrer depois de anos, com a troca de poder. Isso explica o fato de parte do orçamento para a educação ter se esvaído em obras e não em formação e qualificação. Segundo ele "No Brasil, encara-se a educação como um problema de construção civil: as autoridades competem para saber quem mandou erguer a escola mais vistosa".
Dan O'Brien, reforça a idéia de que as nossas escolhas brasileiras tem muito a desejar no que se refere a uma qualidade ensino: metas acadêmicas, professores competentes e um sistema preparado para cobrar os resultados. Simples, mas a exemplo de outros países só é possível chegar a esses requisitos se soubermos investir recursos às questões pedagógicas e esperar por anos, décadas para se chegar a um resultado, esquecendo questões políticas e interesses de grupos. O'Brien dá um exemplo vindo de seu próprio país, a Irlanda. Nos anos de 1970, quando os irlandeses tinham um lastimável índice de 35% de analfabetismo, a iniciativa partindo dos líderes de partidos rivais que estabeleceram metas detalhadas a ser cumpridas para a educação para os anos seguintes, que ficou conhecido como "pacto para o ensino". Depois de líderes que entraram e saíram do poder esse compromisso com a educação se manteve e a Irlanda tem um bom modelo de educação.
A solução para o Brasil ou é começar a pensar lá na frente ou ver todo mundo lá longe nos tendo como referência de uma educação de má qualidade.


Uma mãe perguntou a Napoleão: quando deverei começar a educar meu filho? 40 anos antes de nascer, respondeu ele.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

sábado, 27 de janeiro de 2007

Dia do Inspetor de Alunos ou Dia do Bedel

Existe dia para todas as profissões e motivos, mas alguém sabe quando se comemora o dia do Bedel?

A Camara Municipal de Curitiba tem uma proposta para criar essa data comemorativa. Ela é do vereador Jair Cézar (PTB) que propõe os festejos na primeira sexta-feira do mês de maio. Inspetores das escolas da rede municipal de ensino prestam relevantes serviços: desde recepcionar os alunos, além de manter a disciplina e ordem nas dependências das instituições. Durante o recreio, são os inspetores que circulam entre os alunos, coibindo excessos. E ainda , que enquanto os alunos estão em sala de aula, os inspetores auxiliam na direção da escola, exercendo diversas atividades. Como exemplo, cita visitas às casas de estudantes faltosos, atendimento às necessidades de materiais nas salas, auxílio aos professores que se ausentam por alguns instantes, além de permanecerem nas instituições fora do horário de expediente, fazendo companhia aos estudantes, cujos pais se atrasaram em buscá-los.
São funcionários necessários e muito úteis nas escolas mas, às vezes agredidos verbalmente e com ameaças físicas por maus alunos ou funcionários. E com a instituição do dia do Inspetor Escolar Municipal será a oportunidade para destacar a sua importância num determinado dia do ano.

terça-feira, 19 de dezembro de 2006

Um velho índio

Um velho índio descreveu certa vez em seus conflitos internos: "Dentro de mim existem dois cachorros, um deles é cruel e mau, o outro é muito bom e dócil. Os dois estão sempre brigando..." Quando então lhe perguntaram qual dos cachorros ganharia a briga, o sábio índio parou, refletiu e respondeu: "Aquele que eu alimentar"

sábado, 23 de setembro de 2006

Jogos Abertos do Interior - São Bernardo do Campo


Foram 13 dias de evento desde a chegada do fogo simbólico na segunda-feira, 11 de setembro, até o último jogo disputado na noite de sábado (23). E o balanço dos maiores Jogos Abertos do Interior da história só podia ser positivo, pelas inovações que trouxe e pelo legado que deixou ao município de São Bernardo do Campo, à maneira de se organizar o evento em si e ao esporte de forma geral.

Não foi à toa que o coordenador de Esportes da Secretaria da Juventude, Esportes e Lazer do Estado de São Paulo, Antônio Carlos Pereira, afirmou que os Jogos Abertos se dividem em antes e depois de São Bernardo do Campo. Pereira acompanha o evento há 36 anos e afirmou nunca ter visto tanto profissionalismo como o demonstrado pela cidade do ABC.

“Nesses 70 anos de realização, os Jogos sofreram mudanças, sempre ascendentes. Mais modalidades foram incorporadas, mais atletas começaram a participar. Acho, porém, que São Bernardo do Campo é um divisor de águas. Primeira vez que vejo organização tão competente e profissional, elogiada por todas as delegações. Não há do que reclamar. Acolhimento nos alojamentos, a estrutura, tudo perfeito”, disse Pereira.

Para Pereira, ninguém vai conseguir esquecer qual cidade organizou os Jogos de 2006. “Conquistar o título geral dos Jogos foi uma coisa tênue se compararmos com o que significou organizar essa edição do evento. Dentro de alguns anos, ninguém vai lembrar da campeã, mas todo mundo se lembrará da cidade sede, pois impressionou. E as cidades que vão organizar os Jogos nos próximos anos têm um problema pela frente que é fazer igual ou melhor. Se fizerem igual já estará ótimo”, completou.

Os 70º Jogos Abertos do Interior contaram com a participação de 189 cidades (duzentas se inscreveram, mas houve desistências), 1.464 equipes (masculinas e femininas) e 13.415 envolvidos entre atletas e dirigentes. Vinte e quatro modalidades esportivas contaram pontos para as cidades participantes e outras oito extras foram disputadas como exibição, podendo ser adotadas definitivamente nas próximas edições dos Jogos.

São números gigantes, semelhantes aos de eventos esportivos internacionais e que se somam a outros, como os R$ 10 milhões investidos na reforma e adequação dos espaços esportivos da cidade. O resultado desse investimento foi uma organização profissional, nunca vista antes na história dos Jogos.

“O balanço que faço é o melhor possível. As cidades participantes se manifestaram de forma positiva e aprovaram as instalações esportivas. A Secretaria de Esportes do Estado afirmou que São Bernardo é um divisor de águas e, principalmente, o legado que os Jogos deixaram para a cidade é positivo. Houve envolvimento da cidade e o que ficou foram equipamentos que servirão para aprimorar o nosso trabalho junto à comunidade”, comentou o secretário de Esportes de São Bernardo, José Fiorizi Piovesana.

domingo, 10 de setembro de 2006

Jogos Abertos do Interior - São Bernardo do Campo



São Bernardo está se preparando para abrigar os LXX Jogos Abertos do Interior, que serão realizados entre 11 e 24 de setembro deste ano. A nova estrutura demandará investimentos de cerca de R$ 7 milhões e permitirá, também, a oferta de espaço para que as equipes possam treinar durante a competição. Cerca de 15 mil atletas e dirigentes participarão do evento.

As principais partidas dos esportes coletivos serão realizadas diariamente no Ginásio Poliesportivo Cidade de São Bernardo, principal espaço esportivo da cidade, que não precisará de adequação para os jogos. Outro espaço que concentrará grande parte das competições é o Centro Recreativo Esportivo Humberto de Alencar Castelo Branco, o Baetão, que passa por uma série de intervenções.

"Com a revitalização, São Bernardo ficará com todos seus espaços esportivos em condições de abrigar os jogos e não precisará investir nesse item pelos próximos vinte anos", afirma o prefeito William Dib.

O Baetão passa por uma verdadeira reformulação não apenas para abrigar os jogos, mas, para que a população de São Bernardo possa aproveitar melhor o espaço. O ginásio poliesportivo está tendo sua estrutura recuperada e modernizada com mudanças nos banheiros, vestiários e piso e construção de tribunas e área para transmissão jornalística das partidas. Esse é o ginásio municipal mais antigo da cidade e, durante os jogos, receberá partidas de Vôlei e Basquete.

Ainda no Baetão, o ginásio de Handebol também receberá tribunas e área para transmissão televisiva, além de construção de vestiários. As piscinas terão a cobertura recuperada para abrigar as disputas de nado sincronizado e biribol. Os vestiários do campo de futebol serão recuperados, com instalação de banheiros para o público. O estádio ainda receberá novas torres de iluminação e terá a entrada do público readequada. O campo de futebol, porém, só será utilizado para treinos durante os Jogos Abertos, pois tem grama sintética.

No Centro Recreativo Esportivo e Cultural Baeta Neves, conhecido como Baetinha, o ginásio poliesportivo está sendo totalmente reestruturado com o espaço interno ampliado, novo piso e iluminação e revestimento acústico no teto, além de adequação de banheiros, vestiários e entrada e saída do público. O espaço abrigará jogos de Vôlei e Basquete.

O estádio 1º de Maio terá a recuperação estrutural das arquibancadas e sediará as principais partidas de futebol masculino e feminino. Os ginásios poliesportivos dos bairros Jerusalém, Alves Dias, Paulicéia e Taboão receberão piso emborrachado e revisão na cobertura, e serão disponibilizados para treinamento das equipes durante os jogos. O Centro Recreativo Esportivo Especial Luiz Bonício (CREEBA), terá a substituição da cobertura da quadra.

Na questão da acessibilidade estão sendo feitas as adequações necessárias para fazer a inclusão dos portadores de deficiência. Vestiários, banheiros e acessos aos equipamentos esportivos serão readequados.

Outros espaços - Além dos espaços em reforma, os LXX Jogos Abertos do Interior terão outros espaços esportivos. Os antigos pavilhões da Vera Cruz serão utilizados para competições como Judô, Ginástica Artística, Ginástica Rítmica e Esgrima, uma das grandes novidades dos Jogos Abertos. O espaço receberá a devida reestruturação para que sejam instaladas arquibancadas e possa abrigar as competições.

O clube Mesc terá jogos de Futsal e Handebol; a academia Top Spin terá partidas de Tênis. O Parque Estoril será a sede dos esportes náuticos e o Clube Eqüestre São Bernardo abrigará as provas extras de Hipismo. O Tiro de Guerra terá provas de Tiro e Tiro com arco.

Os jogos de Futsal serão realizados no Mesc, no Sesi Mário Amato e no Poliesportivo Cidade de São Bernardo. A Associação dos Funcionários Públicos abrigará jogos de Basquete, Vôlei e Xadrez. A Avenida Aldino Pinotti servirá para as provas de ciclismo e a Universidade Metodista abrigará os jogos de Tênis de Mesa. O São Bernardo Tênis Clube terá partidas de Damas, Tênis e Biribol.

Para o secretário de Esportes, José Fiorizzi Piovesana, além de realizar uma das principais competições do país, a estrutura montada deixará um legado que permitirá a abertura de mais de 10 mil vagas em escolinhas e complexos esportivos da cidade.

A estrutura à disposição dos atletas ainda contará com um Centro de Fisioterapia no Centro Recreativo Esportivo Octávio Edgard de Oliveira, na Vila Marlene, que é um espaço inédito em Jogos Abertos. O Centro de Formação dos Profissionais de Educação (Cenforpe) abrigará os comitês organizador e dirigente, além da sala de imprensa e uma área de convivência.

Os atletas ficarão alojados nas escolas municipais e cada delegação terá à sua disposição um computador, pelo qual poderão acessar em tempo real as informações das competições.

segunda-feira, 21 de agosto de 2006

8° Festival Internacional do Folclore

A prefeitura de São Bernardo do Campo realiza até o dia 23 o 8º Festival Internacional do Folclore, que conta com a participação de grupos do Brasil, Alemanha, Colômbia, Paraguai e França. As apresentações acontecem durante a semana, às 20h, no Cenforpe (Centro de Formação dos Profissionais da Educação), que fica à rua Dom Jaime de Barros Câmara, 201 - Planalto. No final de semana, o público também pode apreciar os grupos às 15h, no parque Engenheiro Salvador Arena. Nos intervalos das performances há a participação de contadores de história, violeiros e repentistas da cidade. Os grupos também fazem apresentações exclusivas para os alunos da rede municipal de ensino. A entrada é gratuita.

Levamos hoje as 20h., os alunos do PROMAC para apreciar e participar das atividades. Hoje teve as apresentações do grupo Remelexo (Brasil), e também grupos folclóricos da Alemanha e da Colômbia.

segunda-feira, 15 de maio de 2006

PCC

De dentro da escola nós não tinhamos notícias do que acontecia.
O clima estava tenso e pouco a pouco os pais iam buscar seus filhos com pressa de voltarem para casa.
Não conseguiamos ter grandes informações já que os telefones celulares não funcionavam. Não conseguiamos falar com ninguém.
Pelos muros da escola viamos a cidade se esvaziando. A escola ia se esvaziando enquanto corriamos atrás de crianças para entrega-las à segurança dos pais.

Quando fomos trabalhar já tinhamos a desconfiança do que estava acontecendo
No início da madrugada, tiros atingiram um guichê da estação Artur Alvim do metrô (Zona Leste), mas não há confirmação sobre o possível envolvimento do PCC no caso.
Durante a madrugada, 11 agências bancárias foram atacadas na cidade de São Paulo e Taboão da Serra, na região metropolitana, o que indica que o plano era desestabilizar a segurança pública envolvendo também ataques ao sistema bancário.
No 1º ataque, um grupo de homens ataca, atira e queima o Banco Itaú.
Entre a madrugada, a manhã e a tarde são atacados alvos de transporte público, postos policiais, guardas e 45 carros são incendiados. Na madrugada, há mais de 20 ônibus incendiados e ocorre outro ataque contra um banco, no qual matam um vigilante. Ocorrem prisões e enfrentamento entre policiais e bandidos, o que desde ontem deixaram mortas 18 pessoas.

Já havia sido um final de semana tenso. Mas a segunda-feira prometia coisas piores.

Pela manhã, 5 mil dos 15 mil ônibus da frota da cidade de São Paulo deixam de circular. Algumas empresas de transporte colocam apenas o mínimo exigido por lei nas ruas. Em Heliópolis, na zona sul, três bancos amanheceram metralhados. Chegam a 56 os ônibus atacados.
Na manhã, há informações que um metrô, o Centro de Engenharia de Tráfego (C-E-T), delegacias, foram alvos de coquetéis de molotóv sem ferir ninguém. Há também informações entre fim de manhã e início da tarde de que 3 ônibus foram incendiados e 1 foi roubado e queimado em seguida, pois os bandidos até falaram o local que vão queimar. Entre madrugada e manhã, ocorrem mais de 20 atentados.
O rodízio no centro expandido de São Paulo é suspenso.
Há pressões tanto políticas e sociedade civil e militar para que o governo estadual e federal para que reagissem os ataques com dureza. Enquanto ocorriam os ataques, eram enterrados policiais e civis que foram mortos na sexta e sábado.

A escola já não tinha o número de alunos normal.
Cerca de 30% dos alunos não compareceram às aulas na zona sul devido à paralisação dos ônibus, conforme informado pela Secretaria Estadual de Educação.

O pânico toma conta da região da Capital. Comerciantes fecham as portas, pelo menos 12 shoppings encerraram as atividades no dia e escolas e faculdades particulares suspendem as aulas alegando falta de segurança.

No início de tarde, 91 morreram em ataques. Na tarde, presos das 5 rebeliões de Paraná se rendem depois de mais de 24 horas de rebelião; o governo do estado afirma que as rebeliões não tinham ligação aos ataques do estado de São Paulo.
O governo do Mato Grosso do Sul anuncia o fim das rebeliões no estado e que os amotinados preferiram encerrar a rebelião. A Polícia do estado de Pernambuco prende em Recife, 7 membros de PCC, que estariam planejar em repetir o feito de São Paulo, como queimação de ônibus e ataques contra a polícia; não é a primeira vez que membros do PCC são presos no estado, em janeiro, 8 foram presos por tentarem planejar ataques contra delegacias para resgatar presos. No fim de tarde, já são 7 ônibus que foram incendiados em menos de 8 horas.
No início da tarde, o Ministro da Justiça, Macio Thomaz Bastos, anuncia que ajuda de governo federal e de outros estados ao São Paulo, pela iniciativa de Lula.
Por volta das 14hs e 10 min, um boato surgido da polícia, que foi divulgado pela Rede Record, que haveria um toque de recolher às 20hs, é desmentido pela Secretária de Estado e a Polícia às 14hs e 50min. Até o fim de tarde, aconteceram 184 ataques, dos quais 31 policiais mortos, 8 vigias mortos e 4 civis mortos, 31 bandidos mortos e 94 bandidos presos, 61 agências atacadas, 8 bancos atacados. A violência dos ataques provoca às empresas de ônibus a não por linhas em funcionamento. Por devidos aos problemas de trânsito, a C-E-T encerra a contagem e chega aos 197 km de engarrafamento, a maior do ano na Grande São Paulo, mas no início da noite chega 212 km de engarrafamento, outro recorde do ano.
O pânico chega ao interior do Estado, cidades como Limeira, Mogi Guaçu, Mogi Mirim, Bauru, Itapira param no meio da tarde, com todas as lojas dos centros fechadas.
No fim de tarde, o governador de São Paulo, Cláudio Lembo, rejeita pela 2ª vez a proposta do governo Lula de enviar 4 mil tropas do exército, a 1ª foi ontem, apesar da visita do Ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos.
Durante a tarde, todas as rebeliões são controladas e os ataques praticamente cessam. O governo paulista, que havia acusado a imprensa de espalhar boataria, teria supostamente negociado com o PCC o cessar-fogo. O governo desmente.
A violência do PCC provoca o fechamento de comércios e até os 12 shoppings existentes no São Paulo no início da tarde e a ameaça de bombas no Aeroporto de Congonhas e Guarulhos. A Secretária de Estado de São Paulo anuncia às 21hs que já controla todas as 79 penitenciárias de todo o estado, no início da tarde era apenas 2 em rebelião e no dia anterior eram 65 em rebelião.
A imprensa critica a atuação da polícia no caso por falta de comunicação com as repartições de inteligência do estado e falta de informação durante a crise por parte do governo.
Engarrafamento recorde segundo o CET (Companhia de Engenharia de Tráfego). Em seguida, termina a última rebelião 75 horas do início do conflito. Também cessam atentados no dia com menor número de atividade da organização criminosa.
O governador de São Paulo, Cláudio Lembo, concede a entrevista ao vivo ao Jornal Nacional, afirmando que todas as 78 prisões rebeladas foram controladas, que é excepcionalmente ancorado da área externa da sede da Rede Globo em São Paulo.
Por volta das 21hs e 30 min, policiais cercam na Zona Sul de São Paulo, membros do PCC que estariam num prédio e que há troca de tiros, ao mesmo tempo um membro do grupo foi preso pela polícia (que foi confirmado 1h mais tarde) e mais tarde um confronto entre PCC e Polícia mata 3 do PCC. Por volta das 22hs e 10 min, mais um ataque do PCC contra postos policiais, chegando a 201 ataques. Por volta das 23hs, é noticiado em que o governo estaria negociando com o PCC para fim dos ataques, o que não é confirmado ou negado. Quase à meia-noite, é divulgado o balanço do ataque: 181 ataques e 91 mortos.

Foi um dia em que uma cidade, uma metrópole parou.
Ninguém tem mais paz.

sábado, 29 de abril de 2006

I Semana Indígena. São Bernardo do Campo/SP

Terminou ontem, sexta feira, a I Semana Indígena, evento inédito nas cidades do ABC, promovido pelo Projeto Índios Urbanos, da ONG Opção Brasil e em parceria com o Departamento de Cultura da Prefeitura Municipal de São Bernado do Campo-SP.
Esse projeto é uma criação do nosso amigo indigenista Marcos Aguiar.
Uma aproximação cultural de raíz à educação de crianças do ensino básico e fundamental.
O evento foi um sucesso.
Além da aproximação de representantes de várias etnias, as crianças não índias puderam vibrar ao som e dança indígena de alguns dos melhores grupos de São Paulo.
Como a Aninha já informou, no primeiro dia tivemos a apresentação das crianças Guarani M'byá da Aldeia Krukutu, lideradas pelo nosso conhecidíssimo escritor Olívio Jekupé que é o presidente da Associação Nhe'e Porã.
Na dupla de som, tivemos o Xamãy Adão Papá com a rebeca e Karaí, o Geraldinho na viola.
As crianças não-índias vibraram muito e puderam dançar com os curumins e cunhãtaís, formando uma bonita coreografia no palco de um dos auditórios-teatros do CENFORPE, um conjunto arquitetônico dos mais avançados do Brasil destinados à educação, pós-formação de professores, apresentações culturais e esportivas de São Bernardo do Campo. Outrora, Terra dos Tupinaki Paulistas e Guarani M'byá, próximos a Piratininga.
Também se apresentaram, no segundo dia, o grupo de danças e canto dos Cariri-Xocó de Alagoas, alguns radicados em São Paulo, na zona norte.
Esse grupo, além de contar com uma orientação matriarcal, é formado por jovens com muita vontade de levar à frente um trabalho sério que deveria ser imitado por todos índios urbanos, cujos descendentes se consideram distantes do precioso resgate.
No terceiro dia, uma surpresa: os Pankararé de Paulo Afonso -BA, alguns radicados em Osasco, cidade da Grande São Paulo.
Um grupo em formação, liderado por Alaíde Pankararé. Um grupo de adultos de meia idade e jovens que estão dispostos a evoluir na cultura dos seus ancestrais.
Também uma linda e vibrante apresentação.
Todos os três grupos de apresentação trouxeram ricos artesanatos de suas aldeias/etnias.
Além dos participantes indígenas de dança e canto, tivemos um convívio maravilhoso com Ati Terena, o Satiro, Eurico Baiwa que contaram histórias e lendas dos seu povos para as crianças presentes ao evento;
Antonia Aticum, comandou a pintura de rosto para a garotada e alguns adultos;
Lia Pankararú e Edna Pankararú palestraram com as crianças e Bárbara Pankararú liderou a confecção simulada da Peteca indígena.
Tivemos também a presença de representantes da etinia Funiô com artesanatos e entrevistas aos presentes.
Marcos Aguiar, além de coordenar o evento comandou o "cabo-de-guerra", típico jogo índígena de disputa de força na corda.
No local foi montada uma Oca, onde a garotada assistia sobre colchonetes, os DVDs de documentários indígenas de diversas etnias brasileiras, obra da USP.
Ao encerramento do evento tivemos um show da conhecida cantora indigenista Marluy Miranda. Também uma bela apresentação.
A lição que fica é a de criarmos condições de incentivo para que mais apresentações de canto e dança indígena sejam formadas, buscando o resgate cultural de todas as etnias em crise. Mostrando-se ao povo brasileiro como uma preciosa página cultural que transcende a história e se coloca como Raiz indelével dos povos deste país e continente.
Um agradecimento sincero a todos que ajudaram a divulgar esse brilhante trabalho que Marcos Aguiar vem fazendo em parceria com a ONG Opção Brasil e Prefeituras Municipais.
Parabéns aos organizadores e aos indígenas participantes.

terça-feira, 18 de abril de 2006

A bordo do Rui Barbosa - Chico Buarque & Vallandro Keting

O marinheiro João
Chamou seu colega Cartola
E pediu
Escreve pra mim uma linha
Que é pra Conceição
Tu é anarfa? disse o amigo
E sorriu com simpatia
Mas logo depois amoitou
Porque era anarfa também
Mas chamou Chiquinho
Que chamou Batista
Que chamou Geraldo
Que chamou Tião
Que decidiu
Tomou copo de coragem
Copo e meio
E foi pedir uma mãozinha
Para o capitão
Que apesar de ranzinza
É homem bem letrado
É homem de cultura
E de fina educação
Pois não
Assim fez o velhinho
Por acaso bem disposto
Bem humorado
Bem remoçado
Às custas de uma velhinha
Que deixara lá no cais
E João encabulado
Hesitou em ir dizendo
Abertamente assim
O que ia fechado
Bem guardadinho
No seu coração
Mas ditou...
E o capitão boa gente
Copiou com muito jeito
Num pedaço de papel
"Conceição...
No barraco Boa Vista
Chegou carta verde
Procurando "Conceição"
A mulata riu
E riu muito
Porque era a primeira vez
Mas logo amoitou
Conceição não sabia ler
Chamou a vizinha Bastiana
E pediu
"Qué dá uma olhada
Que eu tô sem ócros
Num xergo bem
"Bastiana também sofria da vista
Mas chamou Lurdinha
Que chamou Maria
Que chamou Marlene
Que chamou Yayá
Estavam todas sem óculos
Mas Emília conhecia
Uma tal de Benedita
Que fazia o seu serviço
Em casa de família
E tinha uma patroa
Que enxergava muito bem
Mesmo a olho nu
E não houve mais problemas
A patroa, boa gente
Além de fazer o favor
Achou graça e tirou cópia
Para mostrar às amigas
Leu pra Benedita
Que disse à Emília
Que disse à Yayá
Que disse à Marlene
Que disse à Maria
Que disse à Lurdinha
Que disse à Bastiana
Que disse sorrindo
À Conceição
O que restou do amor
O que restou da saudade
O que restou da promessa
O que restou do segredo de João
Conceição
Eu ti amo muito
Eu tenho muita sodade
E vorto assim que pudé
João