sábado, 8 de dezembro de 2001

História em Quadrões

Fui à Pinacoteca do Estado para conhecer a exposição "História em Quadrões", do desenhista Mauricio de Sousa, o criador dos personagens da Turma da Mônica. Esse trabalho reúne 47 quadros e uma escultura (de Auguste Rodin - O Pensador) que retratam os personagens dos gibis em cenas consagradas pelos maiores gênios das artes plásticas mundial.





"Minha história com os 'Quadrões' começou por brincadeira. Em uma visita que fiz ao Masp (Museu de Arte de São Paulo), no final dos anos 80, parei para observar Rosa e Azul, uma das obras que mais gosto do pintor francês Augusto Renoir", revela Mauricio de Sousa. Crianças copiando Monalisa, no Museu do Louvre, em Paris, também impressionaram o artista quando esteve visitando o museu algum tempo depois. Foi quando imaginou que o mesmo poderia acontecer com as crianças brasileiras.






Muito criativo e com um impressionante olhar observador sobre as obras primas, essa exposição tem a capacidade de diminuir a distância entre o erudito e o popular.

segunda-feira, 17 de setembro de 2001

Diadema

Desde o início, o processo de ocupação de Diadema teve um fator fundamental: sua localização geográfica entre o litoral - Vila de São Vicente - e o planalto - Vila de São Paulo de Piratininga. Foi a existência de uma via de ligação entre São Bernardo e Santo Amaro que proporcionou a chegada de uns poucos moradores ainda no século XVIII. As avenidas Antonio Piranga e Piraporinha originaram-se desses caminhos primitivos.

Até a década de 40, a região de Diadema era constituída por quatro povoados pertencentes a São Bernardo: Piraporinha, Eldorado, Taboão e Vila Conceição. Dispersos, eles eram ligados apenas por caminhos precários. Cada um tinha sua vida própria. Piraporinha próximo a São Bernardo; o Taboão, também ligado pela proximidade a São Bernardo e a São Paulo pela Avenida Água Funda. O Eldorado, que guardava características muito próprias, graças à Represa Billings, vinculava-se mais a São Paulo, à região de Santo Amaro. E finalmente a Vila Conceição formada pelas chácaras pertencentes ao loteamento da Empresa Urbanista Vila Conceição.

Em 1925, com a criação da Represa Billings, a região do Eldorado passou a despertar o interesse de moradores da capital que buscavam opções de lazer. Nos anos 30, os irmãos Camargo, donos das terras2, resolveram melhorar a ligação com a Vila Conceição (centro) por meio da abertura da atual Avenida Alda até o Parque 7 de Setembro. O trajeto até o centro foi completado pelo sr. Alberto Simões Moreira. Nessa estrada passaram a transitar carros de boi, cavalos, automóveis e a primeira jardineira que fazia o itinerário Eldorado - Vila Conceição - Praça da Árvore (SP).

Apesar da proximidade geográfica com a Capital, até os anos 50 a cidade pouco sentiu os efeitos das transformações produzidas pela industrialização em São Paulo. Até então, Diadema não tinha nenhuma importância econômica regional. Foi nas cidades localizadas ao longo da ferrovia Santos- Jundiaí, principal via de circulação de mercadorias na época, que ocorreu a expansão industrial paulista até a década de 40, especialmente em São Caetano, Santo André e Mauá.

Após a década de 50, o sistema de escoamento da produção, feito até então pelos eixos ferroviários, entra em declínio e o governo passa a optar pelos circuitos rodoviários. A Via Anchieta, inaugurada em 1947, representa uma nova fase da industrialização paulista e da implantação do capitalismo no Brasil. Em São Bernardo, ao longo dessa estrada, instalaram-se grandes indústrias multinacionais; e em Diadema, principalmente pequenas e médias empresas nacionais que produziam, na sua maioria, objetos complementares para as multinacionais.

Em 1948, com a Lei n0 233, criou-se o Distrito de Diadema. As transformações ocorridas a partir dos anos 50 na região do ABCD paulista - abertura de estradas, industrialização, migrações, novos loteamentos, crescimento das cidades -despertaram o interesse das lideranças políticas da região de Diadema. Havia o entendimento de que a mudança de distrito para município favoreceria o desenvolvimento do lugar.

A Vila Conceição liderou o movimento pela emancipação local. Além de contar com as lideranças políticas mais interessadas na questão, o vilarejo encontrava-se bastante isolado de São Bernardo, sentindo particularmente a falta de infra-estrutura e serviços básicos.Os moradores de Piraporinha, Taboão e Eldorado eram, na sua maioria, desfavoráveis ao movimento.

Foi a conjugação de vários fatores que determinou a emancipação político-administrativa de Diadema, como a expansão urbana e industrial paulista em direção ao ABC, a articulação de políticos da localidade, como o professor Evandro Caiaffa Esquível, com lideranças de influência no âmbito estadual, como o jurista Miguel Reale e a intensa participação dos moradores da Vila Conceição na Campanha da Emancipação.

Aprovado o processo de emancipação pela Assembléia Legislativa, ocorreu o plebiscito no dia 24/12/1958. As pessoas residentes há mais de dois anos no local votariam a favor ou contra a emancipação. Participaram cerca de 300 eleitores e a emancipação venceu por pequena margem, apenas 36 votos. Em 1959 realizaram-se as primeiras eleições para os poderes Executivo e Legislativo do município de Diadema. E no dia 10/01/1960, com a posse do primeiro prefeito, vice-prefeito e vereadores, instalou-se oficialmente o novo município.

Maior altitude: Jardim Santa Cândida - 865m acima do nível do mar

Menor altitude: Vila Idialópolis, Piraporinha.
Relevo: acidentado, pequenas colinas e marrotes alongados. Poucas áreas planas.

Altitude predominante: Em torno de 700 a 800 metros.
Área Verde:
Diadema possui, em média, 10m² de área verde por habitante. A maior parte das áreas verdes, no entanto, está concentrada ao sul do Município, dentro da área delimitada como de Proteção e Recuperação aos Mananciais (APRM). Assim, os demais bairros apresentam índices inferiores, que variam desde 1m² em Casa Grande a 6m² no Centro.

Em função desta carência de áreas verdes em outras regiões da Cidade, a Legislação Municipal definiu, no Plano Diretor de 1994, as Áreas Especiais de Preservação Ambiental. Estes locais consistem em imóveis com cobertura vegetal significativa em quase a totalidade do imóvel, e que devem ser preservadas para abrigar a avifauna e contribuir para melhores condições do clima local.
As áreas são classificadas em:
- Área Especial de Preservação Ambiental 1: imóveis públicos e vários imóveis privados situados na porção sul do Município, em APRM;

- Área Especial de Preservação Ambiental 2: imóveis privados situados fora da APRM, num total de oito áreas;

- Área Especial de Preservação Ambiental 3: imóveis públicos situados fora da APRM, e onde estão implantados parques de uso público, num total de quatro áreas.
Com essas Áreas Especiais de Preservação Ambiental, a quase totalidade dos maciços vegetais do Município está protegida pela Lei Complementar nº25 de 1994. Cerca de 7,24km², ou seja, 23,6% do total do território do Município é definido como APRM, incluindo o braço da Represa Billings. Nesta região, que corresponde a partes dos bairros Eldorado e Inamar, as regras de uso e ocupação do solo são diferentes, visando proteger a quantidade e a qualidade da água da Represa.
Clima: Duas estações bem definidas. Verão pouco quente e chuvoso. Inverno ameno e subseco. As temperaturas médias giram me torno de 25ºC graus.

Índice pluviométrico médio: Aproximadamente 1.400 a 1.500 mm por ano.
A maior parte da rede hidrográfica está orientada para noroeste do Estado de São Paulo, em direção à calha do Tiête, formada pelos seguintes córregos e ribeirões:

Ribeirão dos Couros - 7.500m (principal da cidade)
Córrego Mato Dentro - 5.100m
Córrego de Capela - 4.695m
Córrego do Floriano - 4.395m
Córrego do Taboão - 4.000m
Córrego Araújo - 1.798m
Córrego Grota Funda (sul)
Córrego Capela (leste)
Córrego Curral Grande (leste)
Córrego Campanário (norte)

Demografia

População Total = 389.271
Homens = 190.344
Mulheres = 198.927


Obs.: Em 1957, um ano antes do plebiscito que decidiu pela emancipação da cidade, residiam em Diadema 8.869 pessoas.

Taxa de crescimento populacional anual: 2,48% (Censo IBGE/2000)
PEA (População Economicamente Ativa): 215.000 pessoas
População analfabeta - 15 anos ou mais: 17.373 (Censo IBGE/2000)
Taxa de analfabetismo: 6,8% (Censo IBGE/2000)

segunda-feira, 28 de maio de 2001

Se Liga!




Esse Fanzine foi elaborado para circular de forma independente dentro da Atento Brasil SA de São Bernardo do Campo. Por se tratar de uma conceituada empresa do ramo de Contact Center, a realidade vivida pelo operador de telemarketng fez grande sucesso entre os funcionários.


segunda-feira, 2 de abril de 2001

Guardanapos de Papel - Leo Masliah e Carlos Sandroni

Na minha cidade tem poetas, poetas
Que chegam sem tambores nem trombetas
Trombetas e sempre aparecem quando
Menos aguardados, guardados, guardados
Entre livros e sapatos, em baús empoeirados
Saem de recônditos lugares, nos ares, nos ares
Onde vivem com seus pares, seus pares
Seus pares e convivem com fantasmas
Multicores de cores, de cores
Que te pintam as olheiras
E te pedem que não chores
Suas ilusões são repartidas, partidas
Partidas entre mortos e feridas, feridas
Feridas mas resistem com palavras
Confundidas, fundidas, fundidas
Ao seu triste passo lento
Pelas ruas e avenidas
Não desejam glorias nem medalhas, medalhas
Medalhas, se contentam
Com migalhas, migalhas, migalhas
De canções e brincadeiras com seus
Versos dispersos, dispersos
Obcecados pela busca de tesouros submersos
Fazem quatrocentos mil projetos
Projetos, projetos, que jamais são
Alcançados, cansados, cansados nada disso
Importa enquanto eles escrevem, escrevem
Escrevem o que sabem que não sabem
E o que dizem que não devem
Andam pelas ruas os poetas, poetas, poetas
Como se fossem cometas, cometas, cometas
Num estranho céu de estrelas idiotas
E outras e outras
Cujo brilho sem barulho
Veste suas caudas tortas
Na minha cidade tem canetas, canetas, canetas
Esvaindo-se em milhares, milhares, milhares
De palavras retrocedendo-se confusas, confusas
Confusas, em delgados guardanapos
Feito moscas inconclusas
Andam pelas ruas escrevendo e vendo e vendo
Que eles vêem nos vão dizendo, dizendo
E sendo eles poetas de verdade
Enquanto espiam e piram e piram
Não se cansam de falar
Do que eles juram que não viram
Olham para o céu esses poetas, poetas, poetas
Como se fossem lunetas, lunetas, lunáticas
Lançadas ao espaço e ao mundo inteiro
Inteiro, inteiro, fossem vendo pra
Depois voltar pro Rio de Janeiro

terça-feira, 20 de fevereiro de 2001

Preconceitos lingüísticos e Gramática Normativa - Marcos Bagno


Essa palestra foi no anfiteatro da FFLCH na USP e não tenho como descrever tamanha discussão causa esse tema. Por isso, transcrevo um texto do próprio Marcos Bagno, que admiro imensamente por saber muito sobre o que fala, para ilustrar um pouco essa minha opinião:



Existe uma regra de ouro da Lingüística que diz: "só existe uma língua se houver seres humanos que a falem". E o velho e bom Aristóteles nos ensina que o ser humano "é um animal político". Usando essas duas afirmações como os termos de um silogismo (mais um presente que ganhamos de Aristóteles), chegamos à conclusão de que "tratar da língua é tratar de um tema político", já que também é tratar de seres humanos. Por isso, o leitor e a leitora não deverão se espantar com o tom marcadamente politizado de muitas de minhas afirmações. É proposital; aliás, é inevitável. Temos de fazer um grande esforço para não incorrer no erro milenar dos gramáticos tradicionalistas de estudar a língua como uma coisa morta, sem levar em consideração as pessoas vivas que a falam.
O Preconceito Lingüístico está ligado, em boa medida, à confusão que foi criada, no curso da história, entre língua e gramática normativa. Nossa tarefa mais urgente é desfazer essa confusão. Uma receita de bolo não é um bolo, um molde de vestido não é um vestido, um mapa-múndi não é o mundo... Também a gramática não é a língua.
A língua é um enorme iceberg flutuando no mar do tempo, e a gramática normativa é a tentativa de descrever apenas uma parcela mais visível dele, a chamada norma culta. Essa descrição, é claro, tem seu valor e seus méritos, mas é parcial (no sentido literal e figurado do termo) e não pode ser autoritariamente aplicada a todo o resto da língua - afinal, a ponta do iceberg que emerge representa apenas um quinto do seu volume total. Mas é essa aplicação autoritária, intolerante e repressiva que impera na ideologia geradora do preconceito lingüístico.
Você sabe o que é um igapó? Na Amazônia, igapó é um trecho de mata inundada, uma grande poça de água estagnada às margens de um rio, sobretudo depois da cheia. Parece-me uma boa imagem para a gramática normativa. Enquanto a língua é um rio caudaloso, longo e largo, que nunca se detém em seu curso, a gramática normativa é apenas um igapó, uma grande poça de água parada, um charco, um brejo, um terreno alagadiço, à margem da língua. Enquanto a água do rio / língua, por estar em movimento, se renova incessantemente, a água do igapó / gramática normativa envelhece e só se renovará quando vier a próxima cheia. Meu objetivo atualmente, junto com muitos outros lingüistas e pesquisadores, é acelerar ao máximo essa próxima cheia...É com este amor que me defendo das acusações que às vezes recebo de ser autor de um livro "demagógico". Não é demagogia: é opção consciente, política, declaradamente parcial. Peço simplesmente aos leitores e leitoras que meditem sobre esta situação que tanto me angustia: homenagear com o livro pessoas que jamais poderão lê-lo. Isso explica, decerto, a grande dose de indignação que em certos momentos passa à frente da reflexão científica serena e me faz assumir o tom apaixonado de quem não tolera nenhum tipo de intolerância, principalmente quando é fruto de uma visão de mundo estreita, inspirada em mitos e superstições que têm como único objetivo perpetuar os mecanismos de exclusão social.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2001

USP





Carreira
312-LETRAS
Classificação Final na Carreira
568


Passei na FUVEST!!
A USP me espera!!