Terminou ontem, sexta feira, a I Semana Indígena, evento inédito nas cidades do ABC, promovido pelo Projeto Índios Urbanos, da ONG Opção Brasil e em parceria com o Departamento de Cultura da Prefeitura Municipal de São Bernado do Campo-SP.
Esse projeto é uma criação do nosso amigo indigenista Marcos Aguiar.
Uma aproximação cultural de raíz à educação de crianças do ensino básico e fundamental.
O evento foi um sucesso.
Além da aproximação de representantes de várias etnias, as crianças não índias puderam vibrar ao som e dança indígena de alguns dos melhores grupos de São Paulo.
Como a Aninha já informou, no primeiro dia tivemos a apresentação das crianças Guarani M'byá da Aldeia Krukutu, lideradas pelo nosso conhecidíssimo escritor Olívio Jekupé que é o presidente da Associação Nhe'e Porã.
Na dupla de som, tivemos o Xamãy Adão Papá com a rebeca e Karaí, o Geraldinho na viola.
As crianças não-índias vibraram muito e puderam dançar com os curumins e cunhãtaís, formando uma bonita coreografia no palco de um dos auditórios-teatros do CENFORPE, um conjunto arquitetônico dos mais avançados do Brasil destinados à educação, pós-formação de professores, apresentações culturais e esportivas de São Bernardo do Campo. Outrora, Terra dos Tupinaki Paulistas e Guarani M'byá, próximos a Piratininga.
Também se apresentaram, no segundo dia, o grupo de danças e canto dos Cariri-Xocó de Alagoas, alguns radicados em São Paulo, na zona norte.
Esse grupo, além de contar com uma orientação matriarcal, é formado por jovens com muita vontade de levar à frente um trabalho sério que deveria ser imitado por todos índios urbanos, cujos descendentes se consideram distantes do precioso resgate.
No terceiro dia, uma surpresa: os Pankararé de Paulo Afonso -BA, alguns radicados em Osasco, cidade da Grande São Paulo.
Um grupo em formação, liderado por Alaíde Pankararé. Um grupo de adultos de meia idade e jovens que estão dispostos a evoluir na cultura dos seus ancestrais.
Também uma linda e vibrante apresentação.
Todos os três grupos de apresentação trouxeram ricos artesanatos de suas aldeias/etnias.
Além dos participantes indígenas de dança e canto, tivemos um convívio maravilhoso com Ati Terena, o Satiro, Eurico Baiwa que contaram histórias e lendas dos seu povos para as crianças presentes ao evento;
Antonia Aticum, comandou a pintura de rosto para a garotada e alguns adultos;
Lia Pankararú e Edna Pankararú palestraram com as crianças e Bárbara Pankararú liderou a confecção simulada da Peteca indígena.
Tivemos também a presença de representantes da etinia Funiô com artesanatos e entrevistas aos presentes.
Marcos Aguiar, além de coordenar o evento comandou o "cabo-de-guerra", típico jogo índígena de disputa de força na corda.
No local foi montada uma Oca, onde a garotada assistia sobre colchonetes, os DVDs de documentários indígenas de diversas etnias brasileiras, obra da USP.
Ao encerramento do evento tivemos um show da conhecida cantora indigenista Marluy Miranda. Também uma bela apresentação.
A lição que fica é a de criarmos condições de incentivo para que mais apresentações de canto e dança indígena sejam formadas, buscando o resgate cultural de todas as etnias em crise. Mostrando-se ao povo brasileiro como uma preciosa página cultural que transcende a história e se coloca como Raiz indelével dos povos deste país e continente.
Um agradecimento sincero a todos que ajudaram a divulgar esse brilhante trabalho que Marcos Aguiar vem fazendo em parceria com a ONG Opção Brasil e Prefeituras Municipais.
Parabéns aos organizadores e aos indígenas participantes.
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sábado, 29 de abril de 2006
terça-feira, 18 de abril de 2006
A bordo do Rui Barbosa - Chico Buarque & Vallandro Keting
O marinheiro João
Chamou seu colega Cartola
E pediu
Escreve pra mim uma linha
Que é pra Conceição
Tu é anarfa? disse o amigo
E sorriu com simpatia
Mas logo depois amoitou
Porque era anarfa também
Mas chamou Chiquinho
Que chamou Batista
Que chamou Geraldo
Que chamou Tião
Que decidiu
Tomou copo de coragem
Copo e meio
E foi pedir uma mãozinha
Para o capitão
Que apesar de ranzinza
É homem bem letrado
É homem de cultura
E de fina educação
Pois não
Assim fez o velhinho
Por acaso bem disposto
Bem humorado
Bem remoçado
Às custas de uma velhinha
Que deixara lá no cais
E João encabulado
Hesitou em ir dizendo
Abertamente assim
O que ia fechado
Bem guardadinho
No seu coração
Mas ditou...
E o capitão boa gente
Copiou com muito jeito
Num pedaço de papel
"Conceição...
No barraco Boa Vista
Chegou carta verde
Procurando "Conceição"
A mulata riu
E riu muito
Porque era a primeira vez
Mas logo amoitou
Conceição não sabia ler
Chamou a vizinha Bastiana
E pediu
"Qué dá uma olhada
Que eu tô sem ócros
Num xergo bem
"Bastiana também sofria da vista
Mas chamou Lurdinha
Que chamou Maria
Que chamou Marlene
Que chamou Yayá
Estavam todas sem óculos
Mas Emília conhecia
Uma tal de Benedita
Que fazia o seu serviço
Em casa de família
E tinha uma patroa
Que enxergava muito bem
Mesmo a olho nu
E não houve mais problemas
A patroa, boa gente
Além de fazer o favor
Achou graça e tirou cópia
Para mostrar às amigas
Leu pra Benedita
Que disse à Emília
Que disse à Yayá
Que disse à Marlene
Que disse à Maria
Que disse à Lurdinha
Que disse à Bastiana
Que disse sorrindo
À Conceição
O que restou do amor
O que restou da saudade
O que restou da promessa
O que restou do segredo de João
Conceição
Eu ti amo muito
Eu tenho muita sodade
E vorto assim que pudé
João
Chamou seu colega Cartola
E pediu
Escreve pra mim uma linha
Que é pra Conceição
Tu é anarfa? disse o amigo
E sorriu com simpatia
Mas logo depois amoitou
Porque era anarfa também
Mas chamou Chiquinho
Que chamou Batista
Que chamou Geraldo
Que chamou Tião
Que decidiu
Tomou copo de coragem
Copo e meio
E foi pedir uma mãozinha
Para o capitão
Que apesar de ranzinza
É homem bem letrado
É homem de cultura
E de fina educação
Pois não
Assim fez o velhinho
Por acaso bem disposto
Bem humorado
Bem remoçado
Às custas de uma velhinha
Que deixara lá no cais
E João encabulado
Hesitou em ir dizendo
Abertamente assim
O que ia fechado
Bem guardadinho
No seu coração
Mas ditou...
E o capitão boa gente
Copiou com muito jeito
Num pedaço de papel
"Conceição...
No barraco Boa Vista
Chegou carta verde
Procurando "Conceição"
A mulata riu
E riu muito
Porque era a primeira vez
Mas logo amoitou
Conceição não sabia ler
Chamou a vizinha Bastiana
E pediu
"Qué dá uma olhada
Que eu tô sem ócros
Num xergo bem
"Bastiana também sofria da vista
Mas chamou Lurdinha
Que chamou Maria
Que chamou Marlene
Que chamou Yayá
Estavam todas sem óculos
Mas Emília conhecia
Uma tal de Benedita
Que fazia o seu serviço
Em casa de família
E tinha uma patroa
Que enxergava muito bem
Mesmo a olho nu
E não houve mais problemas
A patroa, boa gente
Além de fazer o favor
Achou graça e tirou cópia
Para mostrar às amigas
Leu pra Benedita
Que disse à Emília
Que disse à Yayá
Que disse à Marlene
Que disse à Maria
Que disse à Lurdinha
Que disse à Bastiana
Que disse sorrindo
À Conceição
O que restou do amor
O que restou da saudade
O que restou da promessa
O que restou do segredo de João
Conceição
Eu ti amo muito
Eu tenho muita sodade
E vorto assim que pudé
João
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