De dentro da escola nós não tinhamos notícias do que acontecia.
O clima estava tenso e pouco a pouco os pais iam buscar seus filhos com pressa de voltarem para casa.
Não conseguiamos ter grandes informações já que os telefones celulares não funcionavam. Não conseguiamos falar com ninguém.
Pelos muros da escola viamos a cidade se esvaziando. A escola ia se esvaziando enquanto corriamos atrás de crianças para entrega-las à segurança dos pais.
Quando fomos trabalhar já tinhamos a desconfiança do que estava acontecendo
No início da madrugada, tiros atingiram um guichê da estação Artur Alvim do metrô (Zona Leste), mas não há confirmação sobre o possível envolvimento do PCC no caso.
Durante a madrugada, 11 agências bancárias foram atacadas na cidade de São Paulo e Taboão da Serra, na região metropolitana, o que indica que o plano era desestabilizar a segurança pública envolvendo também ataques ao sistema bancário.
No 1º ataque, um grupo de homens ataca, atira e queima o Banco Itaú.
Entre a madrugada, a manhã e a tarde são atacados alvos de transporte público, postos policiais, guardas e 45 carros são incendiados. Na madrugada, há mais de 20 ônibus incendiados e ocorre outro ataque contra um banco, no qual matam um vigilante. Ocorrem prisões e enfrentamento entre policiais e bandidos, o que desde ontem deixaram mortas 18 pessoas.
Já havia sido um final de semana tenso. Mas a segunda-feira prometia coisas piores.
Pela manhã, 5 mil dos 15 mil ônibus da frota da cidade de São Paulo deixam de circular. Algumas empresas de transporte colocam apenas o mínimo exigido por lei nas ruas. Em Heliópolis, na zona sul, três bancos amanheceram metralhados. Chegam a 56 os ônibus atacados.
Na manhã, há informações que um metrô, o Centro de Engenharia de Tráfego (C-E-T), delegacias, foram alvos de coquetéis de molotóv sem ferir ninguém. Há também informações entre fim de manhã e início da tarde de que 3 ônibus foram incendiados e 1 foi roubado e queimado em seguida, pois os bandidos até falaram o local que vão queimar. Entre madrugada e manhã, ocorrem mais de 20 atentados.
O rodízio no centro expandido de São Paulo é suspenso.
Há pressões tanto políticas e sociedade civil e militar para que o governo estadual e federal para que reagissem os ataques com dureza. Enquanto ocorriam os ataques, eram enterrados policiais e civis que foram mortos na sexta e sábado.
A escola já não tinha o número de alunos normal.
Cerca de 30% dos alunos não compareceram às aulas na zona sul devido à paralisação dos ônibus, conforme informado pela Secretaria Estadual de Educação.
O pânico toma conta da região da Capital. Comerciantes fecham as portas, pelo menos 12 shoppings encerraram as atividades no dia e escolas e faculdades particulares suspendem as aulas alegando falta de segurança.
No início de tarde, 91 morreram em ataques. Na tarde, presos das 5 rebeliões de Paraná se rendem depois de mais de 24 horas de rebelião; o governo do estado afirma que as rebeliões não tinham ligação aos ataques do estado de São Paulo.
O governo do Mato Grosso do Sul anuncia o fim das rebeliões no estado e que os amotinados preferiram encerrar a rebelião. A Polícia do estado de Pernambuco prende em Recife, 7 membros de PCC, que estariam planejar em repetir o feito de São Paulo, como queimação de ônibus e ataques contra a polícia; não é a primeira vez que membros do PCC são presos no estado, em janeiro, 8 foram presos por tentarem planejar ataques contra delegacias para resgatar presos. No fim de tarde, já são 7 ônibus que foram incendiados em menos de 8 horas.
No início da tarde, o Ministro da Justiça, Macio Thomaz Bastos, anuncia que ajuda de governo federal e de outros estados ao São Paulo, pela iniciativa de Lula.
Por volta das 14hs e 10 min, um boato surgido da polícia, que foi divulgado pela Rede Record, que haveria um toque de recolher às 20hs, é desmentido pela Secretária de Estado e a Polícia às 14hs e 50min. Até o fim de tarde, aconteceram 184 ataques, dos quais 31 policiais mortos, 8 vigias mortos e 4 civis mortos, 31 bandidos mortos e 94 bandidos presos, 61 agências atacadas, 8 bancos atacados. A violência dos ataques provoca às empresas de ônibus a não por linhas em funcionamento. Por devidos aos problemas de trânsito, a C-E-T encerra a contagem e chega aos 197 km de engarrafamento, a maior do ano na Grande São Paulo, mas no início da noite chega 212 km de engarrafamento, outro recorde do ano.
O pânico chega ao interior do Estado, cidades como Limeira, Mogi Guaçu, Mogi Mirim, Bauru, Itapira param no meio da tarde, com todas as lojas dos centros fechadas.
No fim de tarde, o governador de São Paulo, Cláudio Lembo, rejeita pela 2ª vez a proposta do governo Lula de enviar 4 mil tropas do exército, a 1ª foi ontem, apesar da visita do Ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos.
Durante a tarde, todas as rebeliões são controladas e os ataques praticamente cessam. O governo paulista, que havia acusado a imprensa de espalhar boataria, teria supostamente negociado com o PCC o cessar-fogo. O governo desmente.
A violência do PCC provoca o fechamento de comércios e até os 12 shoppings existentes no São Paulo no início da tarde e a ameaça de bombas no Aeroporto de Congonhas e Guarulhos. A Secretária de Estado de São Paulo anuncia às 21hs que já controla todas as 79 penitenciárias de todo o estado, no início da tarde era apenas 2 em rebelião e no dia anterior eram 65 em rebelião.
A imprensa critica a atuação da polícia no caso por falta de comunicação com as repartições de inteligência do estado e falta de informação durante a crise por parte do governo.
Engarrafamento recorde segundo o CET (Companhia de Engenharia de Tráfego). Em seguida, termina a última rebelião 75 horas do início do conflito. Também cessam atentados no dia com menor número de atividade da organização criminosa.
O governador de São Paulo, Cláudio Lembo, concede a entrevista ao vivo ao Jornal Nacional, afirmando que todas as 78 prisões rebeladas foram controladas, que é excepcionalmente ancorado da área externa da sede da Rede Globo em São Paulo.
Por volta das 21hs e 30 min, policiais cercam na Zona Sul de São Paulo, membros do PCC que estariam num prédio e que há troca de tiros, ao mesmo tempo um membro do grupo foi preso pela polícia (que foi confirmado 1h mais tarde) e mais tarde um confronto entre PCC e Polícia mata 3 do PCC. Por volta das 22hs e 10 min, mais um ataque do PCC contra postos policiais, chegando a 201 ataques. Por volta das 23hs, é noticiado em que o governo estaria negociando com o PCC para fim dos ataques, o que não é confirmado ou negado. Quase à meia-noite, é divulgado o balanço do ataque: 181 ataques e 91 mortos.
Foi um dia em que uma cidade, uma metrópole parou.
Ninguém tem mais paz.