A nossa educação em comparação com outros países emergentes como a China e a Coréia está com um atraso de pelo menos 50 anos. Se essa comparação for feita com relação aos países ricos, a distância é de 120 anos (para eles, nosso país mesmo no século XXI, em termos de educação está no século XIX). Mas por que estamos nessa situação? Segundo os economistas Eduardo Giannetti da Fonseca e o irlandês Dan O'Brien, especialista em nações emergentes, não temos uma visão de longo prazo sobre o problema. Os dois economistas fizeram uma palestra em São Paulo nesse último mês e o tema principal de debate foi o não oferecimento de um ensino de boa qualidade por nossas instituições. Um fator importante para chegarmos a essa realidade, segundo Giannetti, é um modo constante dos governantes e autoridades de manter os mesmos padrões e diretrizes à educação ao longo dos séculos, nos vários níveis de governo, com uma necessidade de perseguir resultados imediatos, sem pensarem em medidas reais cujos efeitos pudessem ocorrer depois de anos, com a troca de poder. Isso explica o fato de parte do orçamento para a educação ter se esvaído em obras e não em formação e qualificação. Segundo ele "No Brasil, encara-se a educação como um problema de construção civil: as autoridades competem para saber quem mandou erguer a escola mais vistosa".
Dan O'Brien, reforça a idéia de que as nossas escolhas brasileiras tem muito a desejar no que se refere a uma qualidade ensino: metas acadêmicas, professores competentes e um sistema preparado para cobrar os resultados. Simples, mas a exemplo de outros países só é possível chegar a esses requisitos se soubermos investir recursos às questões pedagógicas e esperar por anos, décadas para se chegar a um resultado, esquecendo questões políticas e interesses de grupos. O'Brien dá um exemplo vindo de seu próprio país, a Irlanda. Nos anos de 1970, quando os irlandeses tinham um lastimável índice de 35% de analfabetismo, a iniciativa partindo dos líderes de partidos rivais que estabeleceram metas detalhadas a ser cumpridas para a educação para os anos seguintes, que ficou conhecido como "pacto para o ensino". Depois de líderes que entraram e saíram do poder esse compromisso com a educação se manteve e a Irlanda tem um bom modelo de educação.
A solução para o Brasil ou é começar a pensar lá na frente ou ver todo mundo lá longe nos tendo como referência de uma educação de má qualidade.
Uma mãe perguntou a Napoleão: quando deverei começar a educar meu filho? 40 anos antes de nascer, respondeu ele.