terça-feira, 24 de junho de 2008

Sem segurança

A escola pode ser o lugar mais tranqüilo do mundo. Os alunos estão em um ambiente criado para a atividade intelectual cercados de adultos que os orientam para os devidos fins. Mas não é essa a realidade da escolas públicas brasileiras, principalmente nas grandes regiões metropolitanas.
Um estudo feito pelo instituto FERNAND BRAUDEL junto com a FUNDAÇÃO VICTOR CIVITA levou em consideração a opnião dos pais de alunos que freqüentam o ensino público na cidade de São Paulo. Chegou a 44% o números de pais que dizem que a escola não oferece segurança alguma à seus filhos. Por sinal, o tema violência e o consumo de drogas são as questões que ganham hoje mais importância do que outros temas que deveriam ser debatidos sobre a escola, como a rotina da sala de aula ou os métodos pedagógicos.
A pesquisa ainda aponta que dos pais entrevistados, 32% referiram-se a uso de drogas nas dependências da escola, 40% mencionam roubos e furtos e 45% dizem saber de casos de violência e agressões físicas nas escolas de seus filhos.
É uma insegurança fruto da indisciplina e da falta de organização nas escolas. Um ambiente que projeta a imagem de desproteção do aluno e sendo essa a realidade é que todos se sentem vulneráveis e o aluno tende a faltar mais, ocorrer maior evasão e a piora do ensino ocorre como resultado final.
O fato é que essa violência dentro das escolas não é uma realidade da cidade de São Paulo. Cidades como Londres, Nova York ou Cidade do México, além de outras, também possuem uma rede de escolas grandiosas e também enfrentam problemas como salas lotadas em um sistema público que o torna mais difícil manter a organização e o controle, mas para enfrentarem a questão da violência dentro ads escolas, estudaram muito as estatísticas e mapearam aonde o problema existe. Em alguns casos, escolas criaram núcleos de educadores para encarar a violência de frente antes de dependerem exclusivamente da polícia. E como resultado vemos Nova York com uma redução de 10% nas ocorrências em 2 anos, e conseqüentemente a melhoria do ensino.
É necessário os grandes centros brasileiros também já começarem a tomar suas atitudes antes da violência crescer mais ainda e tomar definitivamente conta da escola.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Perder talentos

A escola brasileira possui a infeliz capacidade de desperdiçar talentos. É estimado que 3% de nossa população seja composta por alunos de um nível de talento maior que os demais. Se verificarmos a realidade de outros países em que a educação é levada a sério, foram instituídos mecanismos para esse público seleto. Na França e na Inglaterra os alunos ganham acesso às melhores instituições de ensino. Nos Estados Unidos existem escolas específicas como “Magnet schools” ou programas especiais dentro do ensino regular “Honors Programs”. Na Rússia, hedeira do comunismo e em Cuba, são vários os colégios para talentosos natos na arte, no esporte ou em qualquer área acadêmica.
Aqui no Brasil, sendo esse talentoso aluno proveniente de uma família que possue condições financeiras, ainda é possível fazer que esse aluno talentoso tenha acesso a uma educação epecífica e qualificada para o seu talento. A calamidade está quando esse aluno é pobre e tem como opção apenas o ensino público. Ele é completamente ignorado pelo sistema de ensino que oferecemos, pois ele deve se “integrar” aos demais. Esses talentos são impedidos de desenvolverem seus mais incríveis talentos, fazendo deles atores de desajustes e medíocres, para assim evitarem conflitos com a instituição de ensino que não sabe como lidar com eles.
Porém, existem algumas instituições empresariais, com iniciativa da sociedade civil que tomam iniciativas concretas diante de tamanho desperdício. O ISMART seleciona alunos de baixa renda da educação pública e oferece um bom programa de estudo por dois anos concedendo bolsas de estudos nos mais conceituados colégios do Rio de Janeiro, São Paulo e Fortaleza. Esses alunos colocam-se acima da média de seus colegas que segundo o Enem estão entre os vintes melhores do Brasil. Também existe a escola da EMBRAER que aglutina alunos de escolas públicas na região de São José dos Campo. Por concurso realizado, em um sistema de seleção altamente competitivo, aprovando os alunos de talentos extraordinários. Não sendo assim a toa, que a escola da EMBRAER está com a 17° melhor do Brasil. Também há exemplos como a FUNDAÇÃO JOSÉ CARVALHO que atua no Recôncavo baiano recrutando jovens talentosos ou o projeto BOM ALUNO que oferece bolsas de estudo para que esses alunos talentosos tenham acesso à bons colégios privados.
Mas o governo não gosta muito dessas iniciativas que tendem a valorizar o jovem talento dentro de uma péssima escola pública. Para ele, dar chance a alguns poucos é injusto com os demais. É a busca da igualdade custando o aborto de mentes brilhantes, nivelando o ensino por baixo, uma justiça de igualdade social que no final acaba valorizando apenas os talentosos provenientes de famílias ricas que possuem condições para oferecer um ensino (muito) melhor.
Países desenvolvidos são aqueles que sabem dar e aproveitas a alta qualidade do conhecimento, e o mais precioso são as mentes brilhantes, de talento próprio e natural, que lamentavelmente jogamos no lixo em nome de uma educação igual para todos.
“O talento não é propriedade privada, é uma propriedade pública e ninguém tem o direito de desperdiça-lo” dizia o geneticista russo Wladimir Efroimson.
Não podemos perder tamanha riqueza.