domingo, 30 de novembro de 2008

Democratização e reprovação

A democratização do ensino público brasileiro tem representado, nos últimos tempos, não somente um desafio educacional, mas também político e social.
A discussão sobre o papel da escola na formação de indivíduos capacitados para o desenvolvimento social e econômico do país, envolve a garantia ao acesso à escola e não somente isso, mas condições de permanência dos alunos ao longo da trajetória escolar.
Mas a aceitação da proposta de uma educação democrática não é fácil para a realidade brasileira, porque a exclusão característica do nosso sistema de ensino sempre trouxe duras conseqüências como altos índices de evasão escolar e repetência, comprometendo o acesso ou permanência dos alunos nas escolas públicas.
Democratizar o ensino está vinculado ao crescimento das oportunidades e também das condições estruturais de ensino a serem oferecidas nas escolas. Em nosso país a taxa de atendimento de alunos de 7 a 14 anos na década de 1980 era de 80,9%, saltando no ano de 2000 para 96,4%. Mas garantir o acesso desses estudantes ao ensino sem as mínimas condições, produzem contrapontos como repetência, evasão e até mesmo à defasagem idade-série devido aos esforços de enquadrar os alunos no modelo educacional pautado na reprodução do conhecimento, sem qualquer relação com a realidade ou contexto, ou as particularidades dos indivíduos que ingressam na escola.
Vive-se então um paradoxo entre o aumento do número de vagas, em um processo de inclusão contra a exclusão explicita na falta de criação de condições e oportunidades reais no processo de ensino ou até da permanência, colaborando com a saída prematura da escola (por vontade ou mesmo forçado por suas condições) depois de anos de fracasso escolar.
Essa cultura da inclusão/exclusão é um combustível para o aumento nas taxas de repetência, um grande obstáculo para a democratização.
Nos últimos anos passou-se a reconhecer que a escola não pode ser uma entidade padronizada para todas as culturas. Promover as diferenças, tanto culturais, sociais e econômicas entre os alunos. Tentar rever a idéia de modelo homogêneo de escola e passar a trabalhar com uma visão mais sensível das diferenças dos alunos passa a ser a revisão da cultura da inclusão/exclusão e a real solução para a democratização do ensino.

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