quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Ciclo Cultura, Identidade e Resistência Negra no Brasil 2010


Aconteceu nos dias 16, 17 e 18 de novembro, às 20h, na Seção de Pesquisa e Documentação (Alameda Glória, 197, Centro), o ciclo de debates Cultura, Identidade e Resistência Negra no Brasil, com destaque para o pesquisador Valdemir Zamparoni com a palestra "A África e os africanos vistos do Brasil" e a professora Maria Helena Machado com a mesa de debate "Os caminhos da resistência negra no Brasil.

sábado, 14 de agosto de 2010

Ablepsifobia

Quando menino, folhando aleatoriamente um livro qualquer, perdido em uma estante empoeirada, vi uma palavra que me acometeu de uma curiosidade viciosa. De princípio achei a palavra bonita, como em elogio daqueles que os antigos gentis seculares se tratavam: ablepsifobia.
Mas a minha imaginação foi logo estrangulada quando descobri o real significado em um dicionário. Saber a realidade é sem graça. Mas pelo menos isso me poupou de gafes com o uso de uma palavra como essa em adjetivações errôneas. Mas nem por isso ela perdeu seu glamour com a imponência de seu significado, pelo contrário, ela apenas se transformou, como de uma lagarta em borboleta.
Passei a observar a minha volta e tentava encontrar alguma forma de uso para essa palavra. Tentei encontrar por pessoas a minha volta, por pessoas pelas ruas, estranhos, ou pessoas que nem mesmo haveria de conhecer um dia, mas nada. Passei a ver que as pessoas são cegas e não enxergavam o que era essencial para se ver.
E entender isso me fez olhar para mim uma pessoa que tivesse medo de ficar cego como todo mundo. Não. Não poderia ficar cego.
Meus olhos que sentem a luz. Energia luminosa em impulsos nervosos que adentram pelo nervo óptico e correm impulsivas para meu cérebro. Mais ainda, pois tem coisas que a mente não sabe explicar, e chegam em pancadas doces ao nosso coração.
Passei a ter medo de ficar cego. Achei que era uma pessoa que sofria de ablepsifobia.
E o tempo foi passando, passando.
Esqueci.
A palavra se acrescentou a um leque de diversas outras palavras que fui conhecendo e descobrindo durante a vida. Cresci. Acho que certos encantos também deixaram de me acompanhar.
Fiquei cego.
Tudo passou a ser cinza. As pessoas passaram a usar máscaras. Os dias passaram a ser iguais esperando o amanhã só para continuar o que estava fazendo hoje. Cotidiano, rotina... O que sobrou foi o paladar. Tudo sem sal. O que era doce, acabou-se. Amargo. Fiquei cego.

E por isso nem esperava que um raio de luz pudesse me causar uma sensação tão delicada e carinhosa sobre a minha face. Não pude acreditar quando pude volta a enxergar. Passava a ver novamente por uma mulher que passava distraída pela minha frente. Uma imagem inesquecível foi a primeira vez que a vi.
Ou não. Inesquecível mesmo foi a primeira vez que vi seu sorriso, ou a segunda. Ou então, não consigo esquecer nenhuma das vezes que ela sorriu, ou imaginava ter sorrido e no fundo guardava em sua garganta um nó.
A partir dali, o céu se encontrou com a terra. E ouvi, de um sussurro lançado ao vento:
- Tenho medo...

Estou ficando velho, pois hoje sinto medo de coisas que antes não sentia.
Filofobia.

quarta-feira, 10 de março de 2010

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

o que esprerar de 2010 - Perspectivas Educação

Conferência Nacional de Educação - Conae 2010

Está em processo de construção nos estados e municípios a Conferência Nacional de Educação – Conae 2010, que terá sua etapa nacional entre 28 de março e primeiro de abril do próximo ano. O objetivo é tematizar a educação escolar, da Educação Infantil à Pós Graduação, por debates democráticos e formulação de propostas em escolas, municípios, Distrito Federal, estados e país. São dois os principais temas: a construção de um Sistema Nacional Articulado de Educação; e a elaboração do novo Plano Nacional de Educação, que deve vigorar de 2011 a 2020.

Em um portal desenvolvido para auxiliar a participação na conferência, http://conae.mec.gov.br/, o MEC disponibiliza contatos para entrevistas.

Plano Nacional de Educação

O plano, que definirá os rumos da educação brasileira de 2011 a 2020, será instituído por projeto de lei a ser votado no Congresso Nacional em 2010. O processo de construção do PNE está sendo debatido em espaços como as conferências preparatórias para a Conae.
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Ensino obrigatório dos 4 aos 17 anos

Com a aprovação da PEC 277/08 – que dispõe sobre a obrigatoriedade do ensino dos quatro aos 17 anos e sobre o fim da Desvinculação das Receitas da União em Educação (DRU) – é importante a fiscalização de como vai se dar o cumprimento da medida e o direcionamento dos recursos. O observatório da Educação fez entrevistas sobre o tema ao longo do ano.
Balanço da implementação do Ensino Fundamental de 9 anos

O prazo de adaptação à implementação da política nacional de ampliação do Ensino Fundamental, decorrente da Lei n.º 11.274/06, termina em 2009. É de extrema importância o acompanhamento a ser realizado pela imprensa sobre o tema, e a divulgação da visão do professorado a esse respeito, pela possibilidade de conhecer o modo como os profissionais da rede avaliam o processo.
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Educação especial

Em 2009, o MEC homologou o parecer nº 13 do Conselho Nacional de Educação (CNE), que torna obrigatória a matrícula de pessoas com deficiência no ensino comum, com a possibilidade de o aluno frequentar o atendimento educacional especializado no contraturno. Com isso, deve aumentar o número de matrículas de crianças com deficiência no ensino regular, processo que deve ser monitorado.
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Educação nas prisões

O Conselho Nacional de Educação está analisando as Diretrizes Nacionais para a Oferta de Educação nos Estabelecimentos Penais. Em 8 de fevereiro deve ser realizada uma audiência pública sobre o tema em Brasília. A sociedade civil organizada reivindica que as diretrizes sejam aprovadas em 2010.
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Lei da Mordaça

Foram revogados, em setembro de 2009, os artigos do Estatuto do Funcionalismo Público do Estado de São Paulo que impediam a livre manifestação de opinião do professorado e demais servidores pela imprensa. A chamada lei da mordaça caiu em SP, mas persiste em outros 17 estados e muitos municípios, como a capital paulista. Além da necessária pressão social para a revogação da lei onde ela persiste, também é importante que jornalistas ouçam e estimulem o a participação do professorado no debate público sobre educação.
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Plano nacional para a implementação da lei 10.639

Para cumprir com a legislação que trata do ensino da história e cultura afro-brasileira e africana nas escolas da rede básica, a Seppir elaborou, em parceria com outros ministérios e a sociedade civil, um plano nacional de implementação da lei 10.639. A imprensa pode contribuir com o acompanhamento de como os sistemas de ensino estão atuando na implementação da matéria. Leia aqui sobre o tema.
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Plano de Educação da Cidade de São Paulo

A cidade de São Paulo iniciou, em 2008, o processo de construção coletiva do Plano de Educação da Cidade de São Paulo. Em seu documento-base, estão previstas várias etapas de mobilização para a discussão de diretrizes de médio e longo prazo para a educação da cidade. O Plano estabelece qual educação queremos ter a daqui dez anos e como poderemos alcançá-la. Os jornalistas da capital paulista podem contribuir com a construção do plano pelo acompanhamento das atividades e estímulo aos debates. Já a imprensa de outras localidades pode verificar se sua cidade já possui um plano ou está em processo de adotá-lo, uma vez que o Plano Nacional de Educação prevê que estados e municípios construam seus planos de metas decenais.