domingo, 20 de março de 2011

O avesso da musa

Até agora não entendo como pude ter tido olhos para ela. Uma moça banguela, pernas peludas e calcinha de velha.
Essa cegueira que me fez dormir.
Foi no calor do ano novo que acordei e pude perceber que perdi um doce inverno. E no sentido inverso, foi na febre que descobri o que não queria. Arranquei meus olhos. Curei-me da miopia, como um milagre ou uma desculpa.
Mesmo assim ainda não entendo, tonto que estou por despertar.
Quando a vi pela primeira vez era uma estranha.Tinha um ar estranho que a fazia confundir dentre um milhão de mesmas mulheres. Mas em certos momentos é o vento que me dá a resposta. Não havia meras perguntas, mas sim pensamentos. E de repente o vento.
E um tempo sereno de outono era a minha matéria. Minha realidade não estava ali, não passava de um devaneio. Meus olhos estavam fixos em um feixe de luz que se desprendia por entre árvores e sombras. Mesmo com o sol de um céu completamente aberto, sentia o frio que arranhava minha face, mas mesmo assim, nada sentia dentro de mim. Mentira.
Ainda sou o devaneio de um encontro. Sou a parte sentimental do universo.
Mas isso não era um questionamento. E a indagação é o perigo guardado pelos séculos e seus deuses, mas de forma mansa vem a resposta. Ela veio em um sopro tímido de um sussurro ao meu ouvido. Depois se transformou em um balé triste que se forma das folhas que a poucos instantes repousavam ao chão e em rodopios se levantavam ao ar. O vento chegou com uma resposta, flâmula. Revirava as páginas que estavam para continuar a história.
Derrubava o frágil, por mais frágil que se supunha o vento. E a resposta chegava de forma assustadora, mesmo que fascinante.
Amei. Por mais que achasse que certos verbos não se conjugassem no passado. Descobri que sei mentir, ainda que a primavera tardasse. Enfim, amei.
Seus olhos estúpidos, seu bafo de morta.
Voz torta...
Uma falta de atitude que me valem os filmes que não assisti, os livros que me roubaram. O desejo por mais um beijo e uma ilusão que criei para mim sendo paga com o tempo que perdi.
Um tempo perdido pensando nela. Pra quem já foi a representação da mais perfeita criação do universo, hoje vejo a banguela.
Ou então, a minha falta de amor próprio...
Acordei no silêncio, sem ouvir um desejo sincero de bom dia ou qualquer oração.
E a partir daí, todos os dias amanheceram verão. O primeiro trago, do único cigarro, faz-me tirar sarro de mim. Pois na fumaça que se dissipa, posso vê-la se perder como o nada.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Ciclo Cultura, Identidade e Resistência Negra no Brasil 2010


Aconteceu nos dias 16, 17 e 18 de novembro, às 20h, na Seção de Pesquisa e Documentação (Alameda Glória, 197, Centro), o ciclo de debates Cultura, Identidade e Resistência Negra no Brasil, com destaque para o pesquisador Valdemir Zamparoni com a palestra "A África e os africanos vistos do Brasil" e a professora Maria Helena Machado com a mesa de debate "Os caminhos da resistência negra no Brasil.

sábado, 14 de agosto de 2010

Ablepsifobia

Quando menino, folhando aleatoriamente um livro qualquer, perdido em uma estante empoeirada, vi uma palavra que me acometeu de uma curiosidade viciosa. De princípio achei a palavra bonita, como em elogio daqueles que os antigos gentis seculares se tratavam: ablepsifobia.
Mas a minha imaginação foi logo estrangulada quando descobri o real significado em um dicionário. Saber a realidade é sem graça. Mas pelo menos isso me poupou de gafes com o uso de uma palavra como essa em adjetivações errôneas. Mas nem por isso ela perdeu seu glamour com a imponência de seu significado, pelo contrário, ela apenas se transformou, como de uma lagarta em borboleta.
Passei a observar a minha volta e tentava encontrar alguma forma de uso para essa palavra. Tentei encontrar por pessoas a minha volta, por pessoas pelas ruas, estranhos, ou pessoas que nem mesmo haveria de conhecer um dia, mas nada. Passei a ver que as pessoas são cegas e não enxergavam o que era essencial para se ver.
E entender isso me fez olhar para mim uma pessoa que tivesse medo de ficar cego como todo mundo. Não. Não poderia ficar cego.
Meus olhos que sentem a luz. Energia luminosa em impulsos nervosos que adentram pelo nervo óptico e correm impulsivas para meu cérebro. Mais ainda, pois tem coisas que a mente não sabe explicar, e chegam em pancadas doces ao nosso coração.
Passei a ter medo de ficar cego. Achei que era uma pessoa que sofria de ablepsifobia.
E o tempo foi passando, passando.
Esqueci.
A palavra se acrescentou a um leque de diversas outras palavras que fui conhecendo e descobrindo durante a vida. Cresci. Acho que certos encantos também deixaram de me acompanhar.
Fiquei cego.
Tudo passou a ser cinza. As pessoas passaram a usar máscaras. Os dias passaram a ser iguais esperando o amanhã só para continuar o que estava fazendo hoje. Cotidiano, rotina... O que sobrou foi o paladar. Tudo sem sal. O que era doce, acabou-se. Amargo. Fiquei cego.

E por isso nem esperava que um raio de luz pudesse me causar uma sensação tão delicada e carinhosa sobre a minha face. Não pude acreditar quando pude volta a enxergar. Passava a ver novamente por uma mulher que passava distraída pela minha frente. Uma imagem inesquecível foi a primeira vez que a vi.
Ou não. Inesquecível mesmo foi a primeira vez que vi seu sorriso, ou a segunda. Ou então, não consigo esquecer nenhuma das vezes que ela sorriu, ou imaginava ter sorrido e no fundo guardava em sua garganta um nó.
A partir dali, o céu se encontrou com a terra. E ouvi, de um sussurro lançado ao vento:
- Tenho medo...

Estou ficando velho, pois hoje sinto medo de coisas que antes não sentia.
Filofobia.

quarta-feira, 10 de março de 2010

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

o que esprerar de 2010 - Perspectivas Educação

Conferência Nacional de Educação - Conae 2010

Está em processo de construção nos estados e municípios a Conferência Nacional de Educação – Conae 2010, que terá sua etapa nacional entre 28 de março e primeiro de abril do próximo ano. O objetivo é tematizar a educação escolar, da Educação Infantil à Pós Graduação, por debates democráticos e formulação de propostas em escolas, municípios, Distrito Federal, estados e país. São dois os principais temas: a construção de um Sistema Nacional Articulado de Educação; e a elaboração do novo Plano Nacional de Educação, que deve vigorar de 2011 a 2020.

Em um portal desenvolvido para auxiliar a participação na conferência, http://conae.mec.gov.br/, o MEC disponibiliza contatos para entrevistas.

Plano Nacional de Educação

O plano, que definirá os rumos da educação brasileira de 2011 a 2020, será instituído por projeto de lei a ser votado no Congresso Nacional em 2010. O processo de construção do PNE está sendo debatido em espaços como as conferências preparatórias para a Conae.
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Ensino obrigatório dos 4 aos 17 anos

Com a aprovação da PEC 277/08 – que dispõe sobre a obrigatoriedade do ensino dos quatro aos 17 anos e sobre o fim da Desvinculação das Receitas da União em Educação (DRU) – é importante a fiscalização de como vai se dar o cumprimento da medida e o direcionamento dos recursos. O observatório da Educação fez entrevistas sobre o tema ao longo do ano.
Balanço da implementação do Ensino Fundamental de 9 anos

O prazo de adaptação à implementação da política nacional de ampliação do Ensino Fundamental, decorrente da Lei n.º 11.274/06, termina em 2009. É de extrema importância o acompanhamento a ser realizado pela imprensa sobre o tema, e a divulgação da visão do professorado a esse respeito, pela possibilidade de conhecer o modo como os profissionais da rede avaliam o processo.
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Educação especial

Em 2009, o MEC homologou o parecer nº 13 do Conselho Nacional de Educação (CNE), que torna obrigatória a matrícula de pessoas com deficiência no ensino comum, com a possibilidade de o aluno frequentar o atendimento educacional especializado no contraturno. Com isso, deve aumentar o número de matrículas de crianças com deficiência no ensino regular, processo que deve ser monitorado.
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Educação nas prisões

O Conselho Nacional de Educação está analisando as Diretrizes Nacionais para a Oferta de Educação nos Estabelecimentos Penais. Em 8 de fevereiro deve ser realizada uma audiência pública sobre o tema em Brasília. A sociedade civil organizada reivindica que as diretrizes sejam aprovadas em 2010.
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Lei da Mordaça

Foram revogados, em setembro de 2009, os artigos do Estatuto do Funcionalismo Público do Estado de São Paulo que impediam a livre manifestação de opinião do professorado e demais servidores pela imprensa. A chamada lei da mordaça caiu em SP, mas persiste em outros 17 estados e muitos municípios, como a capital paulista. Além da necessária pressão social para a revogação da lei onde ela persiste, também é importante que jornalistas ouçam e estimulem o a participação do professorado no debate público sobre educação.
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Plano nacional para a implementação da lei 10.639

Para cumprir com a legislação que trata do ensino da história e cultura afro-brasileira e africana nas escolas da rede básica, a Seppir elaborou, em parceria com outros ministérios e a sociedade civil, um plano nacional de implementação da lei 10.639. A imprensa pode contribuir com o acompanhamento de como os sistemas de ensino estão atuando na implementação da matéria. Leia aqui sobre o tema.
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Plano de Educação da Cidade de São Paulo

A cidade de São Paulo iniciou, em 2008, o processo de construção coletiva do Plano de Educação da Cidade de São Paulo. Em seu documento-base, estão previstas várias etapas de mobilização para a discussão de diretrizes de médio e longo prazo para a educação da cidade. O Plano estabelece qual educação queremos ter a daqui dez anos e como poderemos alcançá-la. Os jornalistas da capital paulista podem contribuir com a construção do plano pelo acompanhamento das atividades e estímulo aos debates. Já a imprensa de outras localidades pode verificar se sua cidade já possui um plano ou está em processo de adotá-lo, uma vez que o Plano Nacional de Educação prevê que estados e municípios construam seus planos de metas decenais.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Modernização administrativa



A Prefeitura de São Bernardo realizou mais uma etapa do Encontro Trabalho e Cidadania, no Cenforpe (Centro de Formação dos Profissionais da Educação). O Encontro tem como objetivo sensibilizar os presentes para a necessidade de diminuir a burocracia e agilizar e melhorar o atendimento prestado aos munícipes, iniciativas que fazem parte do processo de Modernização Administrativa em curso na Prefeitura. Na ocasião, os desafios e projetos para a área de Educação também foram apresentados.

No encontro foi divulgado aos presentes levantamento realizado no primeiro semestre com servidores de 165 escolas da rede municipal. Essa pesquisa apontou as principais demandas do setor como a melhoria na infraestrutura das unidades de ensino e o pouco incentivo à formação dos professores.

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Hoje passei a tarde participando de uma reunião com todos os funcionários da prefeitura (ontem e hoje foi o pessoal da educação), sobre a modernização administrativa dos serviços prestados pelo governo.
Um projeto que visa o interesse do governo em agir contra a descrença já impregnada nos serviços prestados pelo poder público.
Vamos ver...

sábado, 28 de novembro de 2009

Ensaio sobre o tempo

O tempo...

O tempo é simples: os dias, que serão sempre divididos em horas, que por consequência por minutos, e estes em segundos... Os dias se múltiplicarão transformando-se em semanas e seus ciclos de luas, que somados darão em mês, que de quatro em quatro estações chegam a doze, e já viram ano. Ano que é o décimo de uma década. Década que é um décimo de um século. Ano que é poeira de um milênio...

Tempo, tempo, tempo...

Um mero componente do sistema de medições. Capaz de indicar intervalos ou períodos de duração. Usado para sequenciar eventos, para comparar as durações dos eventos, os seus intervalos, e para quantificar o movimento de objetos. E o tempo vai passando... Em um compasso monótono, constante e corrosivo.

Não é só isso. O tempo é cruel.

Na mitologia grega, o deus Chronos (o tempo), surgiu no princípio de tudo, quando nada existia, formado por si próprio. Um ser sem corpo e serpentino que possuía três cabeças, sendo uma de homem, uma de touro e outra de leão. Uniu-se em um jogo de amor à sua companheira Ananke (a inevitabilidade) numa espiral de encontro e desejo pelo o outro e a volúpia de um prazer antes do nada, por nada, em volta do ovo primogénito, separando-o, formando então o Universo ordenado com a Terra, o mar e o céu. Chronos devora seus próprios filhos uma vez que é impossível fugir ao tempo, todos seriam mais cedo ou mais tarde vencidos pelo tempo.

Nada escapa ao tempo. O tempo vai passando...

O tempo nos devora vivos. Vai nos matar aos poucos, torturante, como se nos degustasse. Saboreando cada um de nossos momentos, nossos membros. Nosso corpo por inteiro. Nos envelhecendo. Divertindo-se com o nossos cacos de corpos e arrotando a saudade do que fomos, ou mesmo, até de coisas que não vivemos.
E que nos resta então? Nem nossas almas serão salvas do tempo? Que alma resiste ao ferro cortante da nostalgia, que nos penetra de forma tão sádica e mortífera, capaz de nos causar nojo e febre. Alma que não quero em meu corpo, pois já estou cansado
de dor.

Tempo, tempo, tempo...

E o tempo não para, e não sei ao certo aonde vamos parar nessa estrada a beira mar.

Tantas Letras (encontro 08) - Prosa


Hoje lemos as atividades realizadas por todos do grupo. Muita coisa boa. Muita gente escrevendo coisa boa gosto disso.

sábado, 14 de novembro de 2009

Tantas Letras (encontro 07) - Prosa


No nosso encontro de hoje tivemos a participação de Márcia Tiburi, filósofa e escritora (apesar de ela afirmar que não gosta de ser uma escritora). Confesso que ela me incomodou, com seus comentários ácidos e seu jeito doce. O que ela falou hoje foi verdade e isso incomoda.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

10° Congresso de História do Grande ABC



9h-10h – Conferência: “Grande ABC: culturas que excedem o lugar culturalizado” - Luiz Roberto Alves (UMESP)

10h-12h – Conferência : “Narrativas de ex-combatentes do ABC: a guerra esquecida nas imagens dos pracinhas” - Priscila Perazzo (IMES-USCS)

12h-14h – almoço

14h -15h30 – Visita guiada por José de Souza Martins (USP) ao canal remanescente da rede de canais de drenagem do Tijucuçu construídos pelos escravos da Fazenda de São Caetano do Tijucuçu, da Ordem de São Bento, entre 1754 e 1769. A visita se estenderá às ruínas da antiga Capela de São Caetano, construída entre 1717 e 1720, na Praça Ermelino Matarazzo, antigo pátio da sede da Fazenda de São Caetano.

15h30 – Visita ao Museu Histórico Municipal de São Caetano do Sul, no Bairro da Fundação, onde acontecerão os seguintes eventos:

16h - “Sumário da história dos Congressos de História do Grande ABC: do Primeiro ao Décimo” - Terezinha Ferrari (FSA)

16h30 – Encerramento do Congresso e declaração de compromisso de Diadema para sediar o 11º Congresso de História do Grande ABC em 2011.

17h – Abertura da Exposição Fotográfica “Os últimos dias da Cerâmica São Caetano” - José de Souza Martins (USP)