quarta-feira, 23 de abril de 2008

Carcterísticas da indisciplina hoje

A questão da indisciplina no ambiente escolar está sempre em constante transformação e a realidade atual é bem diferente dos últimos anos. Não que hoje ela seja mais visível ou pior que antes, mas diferente. Uma evolução das realidades anteriores, tornando para os educadores uma missão mais desafiadora para ser resolvida de forma definitiva.
É importante pensar e debater qual é a efetiva parte da escola na questão indisciplinar e em sua manutenção. Isso é assumir que o seu papel não autoritário, muito menos prático que achar que a indisciplina surge e se mantém somente nos atos do aluno.
Conforme as nossas leis, existe a busca e a formação por um aluno mais questionador, autônomo e crítico, sendo ativo para pensar e agir sobre a realidade que o cerca. O grande objetivo da nossa escola de hoje é tirar o máximo do aluno essa essência de competências que ele possui. Porém o questionamento crítico tomando uma linha de maior contestação dentro da escola pode gerar conflitos diretos com o educador, que pode não estar preparado para essa forma de manifestação. Esse mesmo aluno já não considera importante as aulas simplesmente teóricas e tende a expressar sua insatisfação. Isso deve ser avaliado além de indisciplina e visto como uma forma de agir de uma consciência social em formação.
Se é importante a evolução desse aluno em sua consciência de cidadão, mais importante ainda é fazê-lo pensar e achar soluções para problemas e conflito, senão a indisciplina passa a ter um sentido de transtorno e inabilidade.
Também é importante ressaltar a indisciplina na relação escola-casa. Pois o aluno pode nesses dois lugares estar próximo ou praticar a indisciplina, podendo tanto em um lugar como no outro reforçar algumas características indisciplinares.
Existe, de fato, um aspecto relevante que interage a indisciplina e fatores do desenvolvimento psicossocial do aluno. E é um consenso de grande parte dos que lidão diretamente com a indisciplina que ela deve possuir ingredientes de motivação dos alunos e seus processos de aprendizagem. Deve-se levar em consideração essa questão no contexto do envolvimento emotivo e subjetivo entre educadores e estudantes. Em um ambiente escolar que tende a trabalhar preventivamente com a indisciplina é necessário criar relações humanas e de laços fortes de convívio o que é muito difícil quando pensamos nas superlotações das salas de aula.

CAUSAS

Não existe uma cultura preventiva de indisciplina. Também é notório a falta de preparo dos educadores frente a esse tema. Na escola é o lugar que geralmente a indisciplina se desenvolve e a própria escola a alimenta e a reforça. São diversas causas que levam a indisciplina. Mesmo ela representando uma ação individual, sua origem pode vir de um infinidade de motivações. Porém essa causa podem ser separadas em dois tipos: causa internas a escola e as causas externas. Nas causas internas ao ambiente escolar podem ser desde formas de ensino-aprendizagem, as relações humanas com seus diversos personagens, a adaptação às normas e esquemas cotidianos, o próprio ambiente escolar e até mesmo a personalidade do aluno. Nas causas externas temos o ambiente familiar, a violência social, as mídias e meios de comunicação entre diversos outros fatores.
Deve ser clara as diferenças entre a indisciplina escolar e qualquer outro contexto social que adentram a escola, como por exemplo, a violência urbana. Ela é uma das causas da indisciplina, mas não a explica em seu todo. E a escola não é a única responsável em enfrentar e combater a violência, mesmo que esse instituição sofra muito com esse mal.
Assim, é muito importante descartar a indisciplina simplesmente como uma questão de comportamento. Um bom comportamento não é sinal de disciplina, mas muito provavelmente, uma possível adaptação as regras impostas pela escola, ou uma apatia diante da rotina ou conformidade. Assim é a escola que deve instituir políticas disciplinares institucional com estratégias claras e eficazes de intervenção e prevenção, na escola inteira como também dentro da sala de aula.

PREVENÇÃO

Mas para isso, teve-se definir o que realmente é indisciplina? Baseada nessa reflexão é que se podem estabelecer bases para a criação desses parâmetros. E assim demarcando estratégias e procedimentos para a sua realização.
O melhor recurso que a escola pode criar contra a indisciplina é uma diretriz disciplinar ampla baseada na prevenção. Qualquer iniciativa tomada por escola sobre esse tema e que hoje desfrutam de um baixo índice de indisciplina não foram beneficiadas pelo acaso, muito menos com ações de curto prazo.
É necessário formar orientações disciplinares (regras e procedimentos) claras e com uma base ampla e sólida. E para isso indispensável à participação dos alunos na sua elaboração, sendo um elemento importante, já que ganha legitimidade e tornando-se conhecida por todos os envolvidos diretamente no processo, criando um sentimento de pertencer ao trabalho e valorizar o suas motivações, coletividades e seus sensos de responsabilidade. Essa forma democrática de elaboração de ação direta contra a indisciplina oferece os resultados mais positivos, deixando de lado a autocracia das lei que são escritas de cima para baixo, de quem manda para os comandados.
Essa orientações devem ser divulgadas amplamente e ficar claras e conhecidas por todos que integram a comunidade escolar. E essas diretrizes não podem se limitar à organização da vida dentro da escola, mas deve servir d e guia para toda a comunidade em volta no objetivo do aprimoramento da disciplina.
O ambiente escolar deve ser humanista, valorizando o diálogo, afetividade e praticara democracia. Tornar real o conhecimento e a realidade dos estudantes como pessoas. E essas mudanças devem se basear no compromisso às regras estabelecidas, realizações, transformações, individualizar os problemas e apoiar as atividades curriculares e extracurriculares. A indisciplina também é objetivo educacional.
A direção da escola por sua vez, deve integrar alunos e professores e que ela deve estar presente em todos os espaços da escola. De modo informal, promover o relacionamento harmonioso entre todos e expressar completo interesse pelas atividades desenvolvidas dentro da escola. A direção também deve oferecer maior autonomia aos professores para enfrentarem problemas de indisciplina dentro da sala de aula, mas desenvolvendo um trabalho em parceria com intervenções da equipe de apoio pedagógico.E o mais importante é diminuir as distâncias entre escola e sociedade. E o desafio é grande, já que é necessário ampliar o envolvimento dos pais nas atividades desenvolvidas dentro da escola. É de extrema importância fazer com que a comunidade seja ciente das metas, realizações e atividades escolares e participe de discussões relevantes à vida escolar, questões pedagógicas e de atividades extracurriculares.

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