sábado, 15 de agosto de 2009

A Cidade na Poesia: Mário de Andrade e Leminki - Júlio César Suzuki

Júlio Cesar Suzuki é professor da Faculdade de Geografia da Universidade de São Paulo. Graduado em Geografia pela Universidade Federal de Mato Grosso(1992) e em Letras pela Universidade Federal do Paraná (2004). É Mestre Doutor em Geografia pela USP.

Com a Revolução Industrial, que se iniciou no século XVIII, a cidade passa a concentrar as pessoas que deixam a área rural. Assim, passa a dirigir todas as outras atividades da sociedade. Possui condições para realizações urbana/rural.
Essa força faz das cidades o centro de reprodução cultural, sendo esse o motor dessa modernidade.
A indústria é a força produtora da urbanidade . Ocorre a mudança para uma realidade urbana.

Para o indivíduo, passa a existir a possibilidade de mudança, uma mobilidade social. Passa assim haver o questionamento do sentido da vida, o que não existia nas sociedades medievais. O indivíduo passa a ter valor . Passa a existir valor a sua criação. O indivíduo passa a se diferenciar da massa.
Duas obras importantes que relatam o modo de vida e de sentidos do cidadão urbano e sua época:
A Situação das Classes Trabalhadoras na Inglaterra (1845) - Friedrich Engels
As Flores do Mal (1857) - Charles Baudelaire

Os dois, Mario e Paulo, são sujeitos que se constituem em sua própria obra. Eles vivem realidades urbanas diferentes.

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Mario de Andrade – Primeira Metade do século XX
Início do Modernismo
Saudosista
Fixo de São Paulo

Mario de Andrade viveu essa transformação da cidade. Em sua obra “Lira Paulistana” de 1945 (obra póstuma), demonstra uma visão saudosista. Ele olha para trás e vê a transformação do lugar onde um dia viveu. Já não se identifica com o novo ambiente. A sua cidade está deixando de existir. Uma aglomeração que muda rapidamente, fruto da industrialização, e nele o sujeito se perde. Começa a surgir a metrópole que se caracteriza pela fragmentação e o sofrimento de viver nesse lugar.
É possível comparar com outro livro de sua autoria, “Paulicéia desvairada” de 1922, em que sua visão é mais ativa, combatente e política. Pode-se citar alguns poemas que descrevem esse mundo urbano que ele viveu e que depois sentirá saudade:
“Inspiração” = Aparece a idéia de pedaços, do ser fragmentado e mistura de coisas distintas.
“Paisagem I” = O mundo das multidões, no qual o sujeito se perde dentro dela.
“Paisagem IV” = Solidão das multidões, possue certa crítica social.

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Paulo Leminski – Segunda Metade do século XX
Final do Modernismo
Vanguardista
Fixo de Curitiba

Paulo Leminski foi um homem boêmio, que morreu jovem em 1989, aos 44 anos, de cirrose hepática. Ele vive a cidade moderna, por mais que Curitiba, sendo uma capital de estado, fosse uma cidade média em sua época.
Ele não foi aceito por sua forma inovadora. Sua cidade não o entendia em sua época e seu reconhecimento só veio depois, já após a sua morte.
Ele vive nesse mundo em que os sujeitos não tem nome. Vive como sujeito fugidio
Em "Objeto Sujeito" fala dessa fuga inconsciente para lugares utópicos. E em "Curitibas", as cidades são inc´gnitas e existe o questionamento de até quanto conhecemos as cidades? (Esse poema faz relação também com sua ligação com o corporal e a relação que o corpo tem com a cidade).
E por mais que ele não se enquadrace narotina e no modo de vida curitibano, ele foi perceber, ao sair de lá e se estabelece em São Paulo como é ligado a sua terra natal.

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